quinta-feira, março 30, 2006

Sentes-te assim:

Vazia, com espaço demais por ocupar e sem preenchimento à vista.

Princesa... Vejo feridas antigas que rasgam de novo a tua pele que, já por si se quer partir. Sentes na boca o sabor do nada, e estupidamente, achas-lhe piada muitas vezes... Mas depois bate a dor.
A dor daquilo que não pode doer porque não existe. Ao vazio dedico estas palavras.
E a ti princesa,...a tudo o que não tens e que te deixa como uma baforada de calor no meio de um dia de Verão.
Não podes chorar por aquilo que nunca tiveste, nem por aquilo que nunca quiseste. Mas as lágrimas continuam a cair.

Sentas-te no teu canto, que não é teu, mas que queres fingir que sim só porque te sentes bem lá... Só porque sentes que lá estás protegida... Mas sabes ...
Não estás protegida porque não há protecção para aquilo que temes. Porque o que sentes que é o teu medo, nem sequer tem razão para existir.
Não tem.
Ponto.

Decides esquecer aquilo que te trouxe cá. Decides esquecer.

Estás a ouvir aquela música? Claro que ouves. É tua, tu adoptaste-a como se fosse um filho que te acalma e te faz chorar.
É a música que te vai permitir voar... Agarra-te bem, princesa.

Agora vai lá para fora, corre contra o vento e torna-te uma brisa.
Torna-te no toque dos dedos contra as teclas de um piano.
Vira melodia de uma música que faça alguém chorar. Transforma-te no ar que empurra um balão para o céu.
Sê a aragem que leva as tuas próprias cinzas atiradas contra o mar. Assim podes preencher-te a ti própria. As feridas deixaram de existir, só porque a tua pele deixou de existir minha princesa... E o sabor do nada... a nada continuará a saber-te.

Listening... Jeff Buckley @ Half Light

2 comentários:

Anónimo disse...

O teu texto fez-me reflectir sobre a existência ou não de momentos perfeitos na nossa vida. Se existem, são descontínuos e parcos. Como relâmpagos que nos atingem e nos destroem em milhões de moléculas de recordações. Como fotografias perfeitas que rasgamos, porque nos abrem lugares vazios. Empty spaces or beautiful spaces?
Continua... Eu continuo a gostar do que escreves.
sleepyalice

Marina disse...

De laguma forma, e isto é vulgar...consigo encontrar-me nas tuas palavras, consigo ver-me no que dizes. Quem sabe se não estou um bocadinho dentro de ti, tal como estás dentro de mim...e felizmente, vais preenchendo o vazio dentro de mim, que insiste em ficar.